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Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos. Provérbios 16:3

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

“Os Deveres Mútuos dos Maridos e Esposas – Parte 2” por Richard Baxter

Ainda não leu a Parte 1? Leia Aqui.

VI. Um dos deveres mais importantes de um marido para com sua esposa e de uma esposa para com o seu marido é ajudar um ao outro, cuidadosa, hábil e diligentemente no conhecimento, adoração e obediência a Deus, para que sejam salvos e cresçam na vida cristã.


1. Quando vocês negligenciam a alma um do outro, não demonstram amor. Vocês acreditam que têm almas imortais, e uma vida eterna de alegria ou miséria para viver? Então vocês têm que saber que seu grande cuidado e ocupação é cuidar dessas almas para a vida eterna. Portanto, se seu amor não ajuda um ao outro naquilo que deveria ser sua preocupação principal, ele é de pouco valor e de pouco uso. Tudo neste mundo é avaliado de acordo com sua utilidade. Um amor inútil ou improdutivo, é um amor sem valor, superficial, pueril, indesejado e os ajudará nas coisas insignificantes e infantis. Você ama sua esposa e a deixará no poder de Satanás, ou não ajudará a salvar sua alma? O quê! Ama-a, e deixará que vá para o inferno? Antes deixar que seja condenada do que se empenhar pela sua salvação? Nunca diga que a ama, se você não se esforça pela sua salvação.


Então o que devemos dizer dos que não só negam sua ajuda, mas são empecilhos na santidade e salvação um do outro? [1Rs. 11:4, At. 5:2, Jó. 2:9] E ainda (o Senhor tenha clemência deste mundo miserável e pobre! Como é comum isto entre nós!) se a esposa é ignorante e descrente, ela usará todas as armas para fazer ou manter seu marido no mesmo estado dela; e se Deus pusesse qualquer inclinação santa no coração do seu marido, ela será como água para o fogo, para extinguir ou subjugar aquele sentimento; e se ele não for tão pecador e miserável quanto ela, ele não terá sossego. E se Deus abrir os olhos da esposa de um homem ruim e lhe mostrar a necessidade de uma vida santa e ela resolver obedecer ao Senhor e salvar sua alma, que inimigo e tirano seu marido será para ela (se Deus não o contiver); o próprio diabo não faz mais para evitar a salvação de almas do que os maridos e as esposas descrentes fazem um contra o outro.


2. Considerem também que vocês não estão vivendo na forma proposta para o casamento, se não estão ajudando suas almas.



3. Considerem também que se vocês negligenciam suas almas, que inimigos vocês são um do outro, e como vocês estão se preparando para suas aflições perpétuas! Quando deveriam estar se preparando para sua feliz reunião no céu, vocês estão se preparando para o perpétuo horror.



Então, sem um momento de hesitação, determinem viver juntos como herdeiros do céu, e cada um seja um auxiliador para a alma do outro. Para ajudá-los neste santo propósito, eu lhes darei algumas orientações, que, se fielmente praticadas, podem fazê-los ser bênçãos especiais um ao outro:


3.1. Antes que você possa ajudar a salvar a alma do seu cônjuge, tenha certeza quanto à sua própria salvação. Você deve ter um entendimento vívido e profundo das grandes questões eternas sobre as quais lhe é requerido falar aos outros. Se você não tem nenhuma compaixão para com a sua própria alma e a venderá por um momento de tranqüilidade e prazer, então certamente você não tem nenhuma compaixão para com a alma do seu cônjuge.



3.2. Aproveite toda oportunidade que sua proximidade provê, para estar falando seriamente um ao outro sobre os assuntos de Deus e a salvação de vocês. Discuta sobre as coisas deste mundo não mais do que o necessário. Conversem sobre o estado e dever de suas almas para com Deus, e de suas esperanças do céu, tais como àqueles que consideram estes assuntos como seus principais interesses. E não falem leviana ou irreverentemente, ou de maneira rude, mas de maneira séria e sóbria, como se fossem aqueles que discutem as coisas mais importantes de todo o mundo [Mc.8:36].


3.3. Quando o marido ou a esposa estiver falando seriamente sobre assuntos santos, que o outro tenha o cuidado de incentivar, e não extinguir, a conversa.



3.4. Julgue de forma imparcial a condição espiritual do seu cônjuge; julgue a força ou fraqueza dos pecados e virtudes e das imperfeições existentes na vida dele; só assim, você poderá ser capaz de ajudá-lo convenientemente.



3.5. Não lisonjeie, nem critique um ao outro de maneira tola. Faça tudo no verdadeiro e puro amor. Alguns estão tão cegos quanto às faltas de esposos, esposas ou filhos que não conseguem enxergar o pecado e a fraqueza que existem neles. Eles estão iludidos em relação à condição eterna de suas almas.A mesma coisa acontece com pecadores complacentes consigo mesmos e com suas almas; eles, obstinadamente, enganam a si mesmos para sua condenação. Esta auto-aprovação nada mais é do que o engodo do diabo para afastá-lo de um arrependimento eficaz e da salvação.


Por outro lado, alguns não podem falar com o outro sobre suas faltas, sem amargura ou desdém, o que causará, em quem ouve, a recusa do remédio que poderia salvá-los. Se as advertências cotidianas que você faz aos estranhos devem ser oferecidas em amor, muito mais entre o marido e esposa.


3.6. Mantenha aceso seu amor, não cultive a distância, que somente fará com que os conselhos e reprovações do outro sejam desprezados.


3.7. Não desencoraje seu cônjuge a instruir você, através de sua recusa em receber e aprender de suas correções.



3.8. Ajudem-se mutuamente, através da leitura em conjunto de livros que convençam do pecado, perscrutem e apontem o caminho da vida. Os mais espirituais. Não desperdice o seu tempo com livros levianos, fracos e aguados. Tenham as mesmas amizades com as pessoas mais santas. Isto não significa negligenciar seus deveres um com o outro, já que toda a ajuda possível pode ser mais eficaz.



3.9. Não encubra o estado de suas almas, nem esconda suas faltas um do outro. Vocês são uma só carne, e deveriam ter um só coração; e da mesma forma como é perigoso para um homem ignorar o estado de sua própria alma, assim também é muito pesaroso que o marido ou a esposa ignorem as áreas em que o outro necessita de ajuda.



3.10. Evite, tanto quanto possível, opiniões diferentes na religião.


3.11. Se existirem compreensões religiosas diferentes entre vocês, estejam seguros que vocês administrarão isto com santidade, humildade, amor e paz, e não com carnalidade, orgulho, intolerância ou contenciosidade.


3.12. Não sejam nem cegamente indulgentes, nem muito críticos com relação às faltas e ao estado do cônjuge, permitindo a Satanás transformar suas afeições em hostilidade.


3.13. Se você é casado com uma pessoa descrente, mantenha, apesar disto, o amor que é requerido para o bem-estar da relação.



3.14. Unam-se em freqüente e fervente oração. A oração força a mente à sobriedade, e move o coração com a presença e majestade de Deus. Também orem pelo outro quando vocês estão em secreto, pois Deus pode fazer aquilo que vocês mais desejam, no coração dos seus cônjuges.


3.15. Em último lugar, ajudem um ao outro através de uma vida exemplar. Seja você, o que deseja que seu marido ou esposa seja; supere-se na mansidão, humildade, caridade, submissão, diligência, abnegação e paciência.


VII. Outro dever importante no matrimônio é ajudar na saúde e conforto de seus corpos. Não mimar a carne, ou estimular os vícios do orgulho, indolência, glutonaria ou os prazeres sensuais, um do outro; mas aumentar a saúde e vigor do corpo, deixando-o em boa forma para servir a alma e a Deus.


1. Na saúde, você deve ter o cuidado de providenciar ao seu cônjuge comida saudável e afastá-lo do que é nocivo a sua saúde, advertindo-o dos perigos da glutonaria e ociosidade, os dois grandes assassinos da humanidade.


2. Também na doença, vocês devem cuidar um do outro e não poupar esforços, financeiros ou físicos, pelos quais a saúde do outro possa ser restabelecida, ou suas almas confirmadas e consoladas.


VIII. Outro dever de maridos e esposas é ajudar um ao outro na administração de seus negócios e propriedades. Não para fins mundanos, nem com uma mente mundana; mas em obediência a Deus que terá deles o labor, tanto como a oração pelo seu pão diário, e que determinou que do suor do seu rosto comessem seu pão, que em seis dias trabalhassem e fizessem toda sua obra, e ainda, que quem não trabalhasse não deveria comer.



IX. Também você deve ter cuidado em guardar o bom nome do seu cônjuge. Você não deve divulgar, mas encobrir as imperfeições um do outro. A reputação de um deve ser tão prezada para o outro como a dele própria. É uma prática pecaminosa e infiel de muitos, tanto de maridos como de esposas, tratar das faltas um do outro na presença de amigos, quando, o que deles é requerido é que, em amor, as encubram. Muitas pessoas impertinentes agravarão as faltas do cônjuge por trás dele.



X. É seu dever no matrimônio ajudar seu cônjuge na educação de seus filhos.


XI. É seu dever no matrimônio ajudar seu cônjuge em obras de caridade.



XII. Finalmente, é um grande dever de maridos e esposas, ajudar e confortar um ao outro na preparação para uma morte segura feliz.



1. Na saúde, vocês devem freqüente e seriamente lembrar um ao outro do dia em que a morte os separará; e viver juntos diariamente, como aqueles que estão aguardando a hora da partida… Reprove entre os dois qualquer lembrança desagradável quando a morte se aproximar. Se vocês vêem o outro entediado ou lento para com os assuntos espirituais, ou vivendo em vaidade, mundanidade, ou indolência, como se tivesse esquecido que morrerá brevemente, incite-o a fazer tudo, que a aproximação de tal dia requer, sem demora.


2. E quando a morte estiver perto, oh, então que abundância de ternura, seriedade, habilidade, diligência, será necessária para aquele que terá o último dever de amor para cumprir, para com a alma de um amigo tão íntimo que está partindo! Oh, então que necessidade haverá da sua mais sábia, fiel e diligente ajuda!… Aqueles que estão totalmente despreparados para morrer podem fazer pouco para preparar ou ajudar outros. Mas os que vivem juntos como herdeiros do céu e conversam na terra como companheiros de viagem para a terra da promessa, podem ajudar e encorajar as almas um do outro, e podem alegremente separar-se na ocasião da morte, enquanto esperam encontrar-se, dentro de pouco tempo, na vida eterna.


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Richard Baxter foi um conhecido puritano inglês que viveu entre 1615 e 1691. Além de pastor e teólogo, Baxter também era poeta e autor de hinos. Esse texto é parte des suas obras, encontrado no Volume I, Baxter’s Practical Works, A Christian Directory. Uma versão compilada e moderna feita por Scott Andersen pode ser encontrada aqui.


*Tradução: Felipe Sabino

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